Entrevista

Fernanda Takai

Por Marcos Martino

 

1 – Você é autodidata ou fez faculdade de música? Tem formação teórica?

Não tenho formação teórica. Fiz aulas de violão pra aprender a ler as cifras apenas, mas foi muito bom pra eu ser capaz de tocar as músicas que mais gostava e também começar a compor as minhas canções. No Pato Fu faço apenas base no violão ou guitarra, nada complicado. Em meu show solo, apenas canto.

 


2 – Você é Amapaense. Você acha que existe alguma coisa das suas origens que reflete na música que faz ou se sente quase 100% mineira ?

Saí de lá muito nova antes de 2 anos de idade e depois morei na Bahia por 6 anos antes de vir pra Minas Gerais. Sinceramente acho que a música que faço não se prende à geografia. Podia ser feita por alguém em São Paulo ou Porto Alegre. Sou uma pessoa mais indoor, não me apego muito à natureza ou raízes pra compor. Talvez seja esse lado pop que é mais universal. Mas não tenha dúvida que represento a cena mineira com muito orgulho. Adoro morar aqui e não me mudaria pra outro lugar.

 


3 - Quando é que você percebeu que o seu negócio era música?

Sempre gostei de música mas nunca pensei que fosse viver de música. Fiz faculdade na UFMG, sou formada em Relações Públicas, trabalhei na área e gosto muito de Comunicação em geral. A música ocupava um espaço de quase hobby na minha vida e de repente passou a tomar mais tempo do que eu previa. Foi tudo muito gradual.


4 – Lembro-me que ouvi pela primeira vez o seu trabalho numa fita k-7, onde você tocava com a banda Data Vênia. Inclusive nesse k7 havia uma música que você gravou com o Pato Fu que se tornou um grande sucesso. Já no Rock Pira III ,você se apresentou com a banda Fernanda e os 3 do povo. Me mate uma curiosidade: esse nome Fernanda e 3 do povo foi criado na época, no improviso para participar do Rock Pira ou não tem nada a ver?Como foi a formação dessa banda? Estou enganado ou o Bob Faria tocou com você no Fernanda e 3 do povo?

Naquela época o Data Vênia já não existia mais. Sim, colocamos esse nome só pra essa apresentação. Não queria fazer um show solo... O Bob Faria tocava com a gente. Ele e o John tiveram uma dupla por algum tempo: Sustados Por Um Gesto. Eu até toquei numa das formações, quando virou trio. Logo depois, Bob saiu e John chamou o Ricardo. Daí surgiu o Pato Fu que lançou os dois primeiros discos com essa formação.


5 – Se não me falha a memória, o Koctus que faz parte do Pato FU hoje, naquela época tocava numa banda chamada Náuplio.  Imaginava até que vocês haviam se conhecido no Rockpira, mas li num site que se conheceram na loja do John, onde parece que o Koktus também trabalhava, A segunda opção é que é a correta?

A gente já se conhecia da loja do John. O Náuplio era a banda do Jorge Amaro, baterista e designer que foi meu sócio numa pequena agência de publicidade.

 


6 – A banda Pato Fu é uma das mais diferentes do Rock Brasil, que não freqüenta tão assiduamente o cenário comercial, sendo considerada mais cult. Vocês estão satisfeitos com essa condição ou gostariam de ser mais populares ?

Somos uma banda de 17 anos de carreira. Tivemos momentos bem populares, com várias músicas tocando em rádio, novela, ganhamos discos de ouro, participamos dos maiores festivais do Brasil, fizemos turnê fora, mas hoje somos dos poucos artistas que podem frequentar a cena independente e também a das majors sem qualquer desconforto. Conseguimos uma autonomia de produção para nossos discos que nos deixa muito seguros quanto à continuidade de nossa música. Gosto da discografia que construímos e das coisas que saem com nossa chancela.

 


7 – O pop rock brasil que toca nas rádios hoje em dia, anda dominado pelas chamadas bandas EMO. Como contemporâneos de compositores como Renato Russo, Cazuza, Lobão, Titãs, o que acham do atual cenário: opção da mídia de massa pelo que supostamente vende, entressafra criativa, opção do próprio público jovem por mais diversão e menos conteúdo ou nenhuma das alternativas?

Sempre se critica a cena atual...na época em que começamos éramos criticados também. Se dizia que não haveria mais bandas tão legais quanto Paralamas, Titãs... mas o país produz muita coisa boa e vai continuar a produzir. Se os grandes meios não dão muito espaço, hoje temos a internet como aliada pra dar mais visibilidade a novos e velhos artistas. O público que gosta de ter mais de uma fonte de informação vai achar coisas legais. Quem só ouve uma rádio jovem, vai ficar com as mesmas 30 músicas rodando na cabeça.

 

 


8 – Para vocês que vivem linkados no que acontece lá fora, pensam que lá, como aqui, o cenário anda estagnado?

Não penso que o cenário esteja parado criativamente falando. Continuo a comprar discos interessantes e a ver muito artista novo aparecendo. Tanto aqui quanto lá fora. O que existe é uma dificuldade em se gerar receita com a música que se faz. Quem não se apresenta em shows, praticamente não tem renda. Quem vive só de direitos autorais e não é um grande nome, enfrenta a falta de prestação de contas generalizada. Isso é cruel. As pessoas tinham que viver dignamente de suas criações.

 


9 – Qual a mensagem mandariam para as bandas novas que estão começando a tocar, cheios de sonhos e idéias na cabeça ?

Costumo dizer que as bandas novas não precisam de ninguém dizendo pra elas o que devem ou não fazer. Os erros e acertos na carreira sempre acontecem de um jeito diferente pra cada um. Formatar o som pro que as pessoas estão ouvindo também é um erro. É incrível mas muita banda me pede pra ouvir o CD e dar sugestões sobre repertório, jeito de cantar... Acho que cada artista tem gostar muito e acreditar na sua música, sem ficar mudando aqui e ali por causa do mercado. Tem que dar uma chance à música como ela é. E ter uma boa dose de acaso.

 

10 - Quais artistas novos você recomendaria para quem estiver em busca de novidades?

Dentre os artistas novos, acho que o Leo Cavalcanti, Luisa Maita, Natália Mallo, Anelis Assumpção, Érika Machado, são alguns dos que tem grandes chances de se tornarem artistas reconhecidos pela mídia.

Muito obrigada!
Fernanda Takai

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