Sacanagem não é coisa normal

Josué Seroa da Motta Sobrinho

 

Aos 25.550 dias da minha existência fez-se necessário uma revisão qualitativa e quantitativa dos valores que devem permanecer a fazer parte da minha vida para que eu tenha uma eudaimonia,  ou seja uma boa qualidade de vida.

Essa procura se deve ao fato da minha inquietação nos dias atuais voltada principalmente para a educação dos filhos, no que tange aos valores pedagógicos que deverão ser utilizados para que as futuras gerações tenham uma qualidade de vida psíquica e social bastante equilibradas, sem ter que criar dois universos dicotômicos de valores,  um para ser usado no seio familiar e outro para ser usado na vida “profana” ou seja, na vida fora de casa, visando um comportamento mais pragmático. 

Depois de muito selecioná-los e adequá-los  a modernidade, um deles ficou evidente de ser atemporal e este é o da justiça, denominador comum de toda nossa humanidade, nivelador de todas as diferenças raciais, econômicas, sociais e políticas.

Entretanto este valor se encontra bastante conspurcado pelos nossos homens públicos. Antigamente existia o certo e o errado e um ponto de cinza, hoje este se transformou em uma enorme mancha. O impossível se realizou: temos já entre nós meio virgens, meio grávidas e até meio honestos. Se você reclama desta situação ouvirá imediatamente a famosa frase anestesiadora dita inclusive pelas nossas autoridades “relaxe e goze, o mundo é mesmo assim e você não vai mudá-lo”, sumarizando sacanagem é coisa normal.

 

Lançado dia 01 o Índice de Confiança na Justiça (JCJBrasil) pesquisa feita para analisar a credibilidade da nossa justiça, ficou constatado baixos índices da mesma entre as pessoas de maior escolaridade e entre os cidadãos que recebem mais de R$ 5 mil  por mês, confirmando a tese que este segmento da sociedade não acredita que a nossa justiça alcance os ricos,  poderosos e políticos, haja vista o que acontece hoje no cenário político, especificamente no Senado Federal, onde existe uma crise de ausência de ética.

 A nossa falta de mobilização para reverter este quadro é um fato, assim como a nossa preguiça de nos tornarmos cidadãos e agirmos como tal.

As próximas eleições estão chegando e está na hora de azeitarmos a nossa guilhotina cívica e decapitarmos os maus políticos, sabendo a priori que junto a eles rolaram também  cabeças dos seus seguidores e sequazes, temos que nos conscientizarmos e dizermos diuturnamente como um mantra que sacanagem não é coisa normal.

 

Josué Serôa da Motta Sobrinho

Engenheiro Agrônomo Aposentado

Curso de Mestrado em Sociologia Rural

Contato : josueseroa@planetarium.com.br