Uma visita à Mostra de cinema de Tiradentes

 

Por Gjunior

 

 

No último mês estive visitando Tiradentes, histórica cidade de Minas, onde estava acontecendo à  12ª Mostra de Cinema Nacional.

O ambiente da cidade favorece muito a isso, já que é conhecida no Brasil inteiro e famosa pela Inconfidência Mineira, com seu calçamento de pedras disformes da mesma época, igrejas históricas e uma área de turismo e comunicação muito bem articulada.

Por lá estavam políticos, artistas e empresários do ramo do cinema, além dos atores e diretores que estavam mostrando seus filmes.

 

Como já dizia o lema da Mostra : Cinema brasileiro contemporâneo em todos os sentidos.

 

A estrutura do evento foi muito bem montada, com uma grande tenda construída para um público de 600 pessoas sentadas, oficinas de vários assuntos sobre cinema e o melhor, uma super tenda na praça principal,

 

onde eram colocadas cadeiras para que o público pudesse assistir a um filme da forma mais descontraída possível.

 

Na programação de sábado, dia 24 de janeiro, estava na Praça o documentário sobre a história do grupo de rock Titãs.

O nome do filme é "A vida até parece uma festa".

Cheguei à praça com 20 minutos de antecedência e logo me sentei, bem próximo ao telão de exibição do filme.

Logo pensei que seria incômodo assitir ao filme com pessoas conversando, tomando cerveja, comendo pipoca e ainda tinha o movimento dos bares da praça.

Daí a pouco, entra em cena o Tuti Maravilha, locutor famoso da Rádio Inconfidência FM de BH e começa a entreter o público com as informações do Festival, programação e alguns detalhes sobre o filme que seria mostrado, que estão na matéria abaixo, do Estado de Minas.

O que me impressionou foi a qualidade do som, que era muito boa e  proporcionou aos telespectadores assistir ao filme sem qualquer problema.

Durante o filme, lógico que fiquei pensando em Alvinópolis, na Baixada, e em como tudo isso poderia se encaixar perfeitamente na nossa terrinha.

Claro que dentro das devidas proporções.

Integração total entre turistas e famosos, todos sentados na sua cadeira de plástico assistindo aos filmes e sem pagar nada por isso.

 

 

 

 

Ao final do filme, pude conversar com o diretor, Oscar Rodrigues Alves(foto abaixo), que atendeu a todos com simpatia e deu alguns detalhes do filme, do seu trabalho e como foi gratificante mostrar um filme em primeira mão numa praça pública.

 

 

São manifestações culturais como esta que nos mostram como se pode entreter o povo com informações de qualidade, que saem do convencional, do noticiário da Globo, e mostram situações de vida que podem acrescentar na vida de qualquer um.

 

Em outra oportunidade, em Trancoso, numa estrutura bem mais simples, vários telões normais foram montados no famoso Quadrado, onde foi exibida uma mostra de Curtas Nacionais, com todas as pessoas sentadas na grama e também descontraídos.

É cinema de qualidade acessível pra todos.

Saudações Alvinopolenses.

 

 

Do Estado de Minas

SEGUNDA, 26/01/2009

Rock na tela


Documentário sobre a trajetória da banda Titãs revela momentos emblemáticos não só do grupo, mas da cultura brasileira a partir dos anos 1980. O filme será exibido hoje na capital

Tiradentes – Titãs – A vida até parece uma festa, atração da noite de sábado na Mostra de Cinema de Tiradentes, tem a textura daquelas fitas VHS amassadas e com cheiro de mofo, resgatadas do início dos anos 1980. Mas a estética “suja” e suas indefinições, fruto dos recursos tecnológicos da época, não são demérito. Ao contrário, dão veracidade ao documentário, ajudando a contar não apenas a história, mas a essência de uma das principais bandas do rock brasileiro, com suas vitórias e percalços.

Dirigido pelo vocalista Branco Mello e pelo videomaker Oscar Rodrigues Alves, o documentário começou a ser produzido há quase 30 anos. Mello registrou os primeiros ensaios, shows e experiências artísticas do octeto, que passou por outras formações antes de se tornar Titãs, mas, desde o início, optou pela defesa irreverente de ideias radicais, reverenciadas pelo público. “Foi incrível poder contar com esses registros. Eles são fruto da genialidade do Branco, que sempre se preocupou com a memória do grupo e filmava pensando que o material seria útil em algum momento”, comenta Oscar Rodrigues Alves.

Cerca de 400 horas de imagens do acervo se somaram a cenas recolhidas em emissoras de televisão e junto a outras fontes. Ao longo dos cerca de sete anos de realização do documentário, os fãs se ofereceram para colaborar. “A pessoas ficavam sabendo do projeto e nos procuravam, trazendo registros de situações que a gente nem imaginava existir”, lembra Oscar. A ajuda não para de chegar, mesmo depois da exibição do filme em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraty, Juiz de Fora e Tiradentes.

Titãs – A vida até parece uma festa é o primeiro longa-metragem de Oscar Rodrigues Alves. Ele foi incorporado à equipe depois de quatro tentativas com outros diretores. Jornalista, publicitário, um dos fundadores da MTV e com passagens pelas principais emissoras de televisão do país, a relação dele com a banda é anterior ao filme. Fã dos Titãs, ele frequentava os clubes underground onde o grupo se apresentava e chamou a atenção ao fazer reportagem sobre a dupla de cantores populares Mauro e Quitéria, descobertos por Paulo Miklos e Branco Mello nas praias do Recife.

Em 2002, Oscar foi convidado a dirigir o clipe de Epitáfio, que contou com imagens da família do próprio jornalista. “A letra da canção é tão verdadeira que precisávamos de imagens sinceras, reais. A ideia de aproveitar parte do meu acervo pessoal foi um golaço”, conta. Depois disso, ele passou a cuidar definitivamente dos registros do grupo. A parceria resultou em cinco videoclipes, no documentário e na produção de novo DVD, que terá extras generosos e a íntegra de A vida até parece uma festa.

“Sobrou material para fazermos pelo menos mais quatro filmes”, brinca Oscar. Nestes tempos de tecnologia sofisticada e imagem em alta definição, chama a atenção a opção por aquilo que o diretor chama de “estética intencionalmente suja”, em contraste com a pureza do áudio. Para ele, essa foi a maneira de traduzir a identidade sonora dos Titãs, impregnada de guitarras distorcidas, entre outros elementos. Não fazia sentido “limpar” imagens da participação do grupo em programas de apresentadores emblemáticos da TV brasileira, como Silvio Santos, Hebe Camargo e Chacrinha.

No documentário, os autores de Diversão, Comida, Polícia e Sonífera ilha, entre outros hits, se revelam em situações cotidianas, cenas de palco e ensaios. O filme registra bastidores hilariantes, como o processo de seleção do repertório para discos, as discussões sobre a elaboração das canções, as experimentações e brincadeiras.

Também está documentada a reação dos músicos a perdas significativas, como a morte do guitarrista Marcelo Fromer, atropelado em São Paulo em 2001, e a saída de Arnaldo Antunes e de Nando Reis da banda. Em Tiradentes, o público cantou, riu e se comoveu, como se fizesse parte do documentário e da história dos roqueiros, cuja obra já conquistou duas gerações de admiradores. A cena emblemática dos braços erguidos dos jovens, a cada show, continua traduzindo – sem palavras – a presença dos Titãs na cultura musical do Brasil.

 

Gjunior é alvinopolense e analista de sistemas.

Contato : alvinews14@gmail.com