ALVINÓPOLIS EM REVISTA

Hotel São Geraldo - Tradição em receber bem.

 

 

 

 

Desta vez, o Alvinews tem o prazer de contar algumas das muitas histórias que marcaram um dos mais tradicionais hotéis de Alvinópolis,

 

                         o Hotel São Geraldo.

 

 

Com o apoio e amizade do Tataia (Filho do Juquita) e do Guarany, atual gerente do Hotel, seguem registros que fazem parte da história de Alvinópolis.

 

Inauguração em 1948 com 12 quartos.

 

 

 

Na época, José Alves da Silva, o Juquita, era delegado de polícia em Alvinópolis, nomeado pelo governo de Magalhães Pinto.

Casado com Dona Ana de Lourdes Gomes,

Juquita e Dona Ana

 filha de Cândido Gomes, nome do colégio de Alvinópolis, e tiveram 10 filhos.

O Hotel  foi construído na avenida Padre José Marciano, no Gaspar, onde permanece até os dias de hoje.

O prédio tinha o hotel na parte de cima e um cinema na parte de baixo.

Na época da construção não existia empréstimo, não existiam bancos, apenas cooperativas de crédito.

Era muito difícil conseguir dinheiro emprestado.

Agiotagem era mais fácil mas com juros muito altos.

Juquita e Dona Ana construíram o Hotel

com empréstimos feitos naquela época, com a ajuda de  agiotas de Alvinópolis.

 

 

A movimentação no Gaspar era intensa e o prédio era novidade na cidade de Alvinópolis, recebendo os viajantes, visitantes e amigos.

O hotel viveu momentos de glória  e dificuldades durante esses 58 anos de vida.

Como na época da construção da estrada de ferro, que chegou a ficar pronta e prometia bastante movimento para a região.

Mas aí veio a Revolução, cancelando o projeto e trazendo enorme prejuízo, não só para o hotel, como também para a cidade de Alvinópolis.

Dentre esses momentos, houve um que merece destaque pela grande  dificuldade de resolução.

 

Nos anos 50 o hotel não conseguia muitos lucros, apenas pagar os custos já era uma vitória.

 

Neste momento, Juquita se viu em dificuldade e recorreu aos agiotas da época.

Mas a situação foi se complicando e em determinado momento, ele decidiu que a única saída seria entregar o hotel para pagar as dívidas.

As opções de solução do problema eram remotas.

 

Com esta situação difícil,  Dona Ana, devota de São Geraldo, como é mostrado no pequeno oratório preservado até hoje no hotel, (do lado), fez promessa para que o problema fosse resolvido.

De repente, lembrou de Getúlio Vargas, então Presidente do Brasil, e escreveu uma carta contando o caso.

Faltavam 15 dias pra vencer o documento que daria ao agiota o hotel em troca do vencimento da duplicata.

Em uma semana, Dona Ana recebeu a resposta da carta, pedindo que ela  procurasse um agente do governo em Belo Horizonte.

Foi uma alegria geral.

Juquita arrumou as malas e foi ao Aerosita, representante de viagens de avião, hoje atual Ninho da Águia, e comprou a passagem pra ir à Belo Horizonte.

Conseguiu o empréstimo e retornou pra Alvinópolis, quitando a duplicata e reavendo o hotel.

A fé ajudou o Hotel São Geraldo a renascer.

Getúlio Vargas marcou época no Brasil como um legítimo representante do povo.

 

São Geraldo

Abaixo, o Presidente Getúlio Vargas

 

O cinema

 

Durante o final de semana, a rua era fechada, virando um calçadão para que todos pudessem passear,  todos muito bem vestidos, trocando olhares, num clima de descontração típico de uma cidade do interior .

 


No cinema, a cultura penetrava em Alvinópolis, trazendo filmes de sucesso em Hollywood, com atores de sucesso, favorecendo o acesso às informações daquela época.

 

 

Antes de cada sessão,  era tocada uma música de abertura que anunciava o começo do filme.

Essa música era Danúbio azul, grande sucesso da época.

Juquita tinha um disco que era guardado a sete chaves, por ser raro na época.

Nesse meio tempo, o jovem Zé Silvio, funcionário do cinema na época,  sentou no disco por acidente e sumiu do mapa.

Juquita ficou muito bravo e foi buscá-lo pelas orelhas pra dar conta do disco.

Catatau operava os equipamentos, e coordenava o que acontecia no cinema.

Como de praxe, havia a venda de doces e afins dentro do cinema.

O vendedor da época era Nozin de Deco, com um grande tabuleiro de canudos de doce de leite.

O problema nas vendas era que ele ficava com muito sono durante o filme, fazendo a festa dos jovens, que roubavam os doces. Quando o Nozin acordava, estava com a bandeja vazia e sem o dinheiro.

As broncas de Juquita sobravam pra ele também.

 

 

 

 

Como Alvinópolis ainda estava acordando para o cinema, haviam muitas crendices, que viraram casos engraçados.

Por exemplo, se o Leão da Metro, companhia de cinema americana, aparecesse rugindo 2 vezes antes do filme, aquele filme era melhor que os outros.

Outras pessoas, que pouco frequentavam o cinema, quando viam o Leão rugir, iam embora, achando que já haviam visto aquele filme.

Que saudade deixou esse cinema.

Nos dias de hoje, com o advento do vídeo e dvd, não existe cinema em Alvinópolis.

 

 

Artistas Famosos

 

Desde os anos 50, vários artistas famosos que já se hospedaram no hotel são Geraldo, dentre eles,

Moraes Moreira (100 anos de Alvinópolis), Tânia Alves, Sula Miranda, Capital Inicial,

Maurício e Mauri, Teodoro e Sampaio, Cassino de Sevilha, inúmeras bandas de baile de todo o Brasil e outros.

 

Adelaide Kyoso, nos idos de 1960, teve uma passagem marcante para o hotel e para Alvinópolis.

Uma mulher linda, que tocava acordeon e cantava,  deixando a todos  de queixo caído.

Seus maiores sucessos foram "Tempo de Criança", "Pedalando" e "Beijinho Doce"

Seu quarto no hotel foi bastante vigiado pelos  meninos que perambulavam pra cima e pra baixo.

Um buraquinho estratégico feito na porta do quarto levou a garotada ao delírio.

Não havia como esquecer a música de sucesso cantada por ela naquele show em Alvinópolis.

 

‘Sabiá lá na gaiola,

fez um buraquinho,

voou voou voou...’

 

 

Adelaide Chiozzo

Moraes Moreira e Capital Inicial

Hospedagem polêmica

 

Nos idos de 1960, Joaquim Cocó era o árbitro mais famoso de Minas Gerais.

Representava a Federação Mineira de Futebol.

Durante muitos anos de rivalidade e polêmica, como nos tempos de hoje, Alvinopolense e Industrial estavam há anos sem jogar o clássico.

A única forma de se fazer um acordo para o jogo foi chamar o Joaquim Cocó, figura respeitada no meio futebolístico e participante ativo dos programas de rádio transmitidos de Belo Horizonte.

Feito o acordo, num sábado à tarde, chega a Alvinópolis o mais famoso árbitro de futebol de Minas.

Ele tinha reserva no hotel.

Na hora do registro, Juquita, sem saber que Joaquim era o juiz do jogo,  o atendeu com toda a educação e respeito, mas sentiu que já o conhecia de algum lugar.

Passados alguns momentos, Juquita perguntou a Joaquim se ele trabalhava com distribuição de filmes e estava certo.

Joaquim trabalhava na distribuidora de filmes em BH, que vendia os filmes para o cinema de Alvinópolis.

- Vou apitar o jogo, disse ele, no sábado à noite

Juquita era delegado da época e torcedor fervoroso do AFC.

Então, Joaquim Cocó perguntou a Juquita qual time ele torcia.

Juquita falou que era preto e branco de corpo e alma.

Resultado do jogo, com muita polêmica e confusão,

 como sempre:  AFC 2 x 1 ISC

No baile à noite, Joaquim Cocó  tomou todas e se divertiu até, bailando a noite toda com a estrela da época, Maria Machado.

 

Dois meses depois, Joaquim Cocó, sem despertar qualquer suspeita, foi convocado a apitar novamente o clássico.

Se hospedou no Hotel São Geraldo e o resultado foi na mosca : AFC 2 x 1 ISC.

 

 

Tataia, Filho do Juquita

Fotos recentes do Alvinopolense e Industrial

Na sacada do hotel, o saudoso Juquita.

Em 1991, o hotel foi reformado, aumentando sua estrutura consideravelmente, passando  para 6 suítes, 12 quartos, garagem pra 20 carros, podendo receber com conforto um total de 35 pessoas.

Nos dias de hoje o Hotel São Geraldo continua a receber com qualidade hóspedes de todo o Brasil.

Esperamos que continue representando Alvinópolis com toda sua tradição, recebendo bem os visitantes da terra.

 

1991 - Reinauguração

Na foto : Dora (filha de Juquita),

Quinzinho e Dona Amélia

Contato Hotel São Geraldo :

Guarany

 

Apartamentos e Quartos

 

Cômodos Amplos e Arejados

Estacionamento Próprio.

Avenida Padre José Marciano, 499 Tel : 38551229

 

O Hotel São Geraldo de hoje.

Na sacada, o Gerente atual, Guarany.

 

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