Éramos felizes...

Contos e Crônicas

 

        

       
        
Zózimo Franca Drumond

 Capítulo 5      - Repolês
                    - Adair
                           - O Marreta

 

 

 

REPOLÊS

Lembro-me muito bem de como ele chegou em Alvinópolis. Num dia cinzento, chuvoso, muito frio, chegou um táxi com duas pessoas adultas. O táxi parou em frente ao Hotel do Juquita e dele desceu um senhor magro e alto, subiu as escadarias do Hotel, ficou por lá uns quinze minutos, voltou e disse para o que ficara dentro do carro: “Pode subir com a mala, está tudo combinado, deixei pagos três meses adiantados. Confio em você. Fique com Deus.” E podia confiar mesmo. Assim Repolês chegou. E chegou para ficar. Desconfiado, franzino (por pouco tempo), às vezes demonstrava timidez, às vezes o contrário, foi-se enturmando. Arrumou trabalho ajudando Darcy em ônibus-carga, trabalhou na Secretaria do Colégio, em Escritório de Contabilidade, virou advogado, constituiu família. Hoje é respeitado e estimado em Alvinópolis e cidades vizinhas.

 Mas, até quebrar-lhe as arestas, ele deu trabalho. Foi muito difícil amansá-lo. Por qualquer coisinha: “... você está se arriscando, não se faz isto com um homem de Sem Peixe”. Ele queria intimidar na chegada. Quanto mais falava em Sem Peixe, mais gozação levava. E sempre repetíamos motivos para ele ficar com raiva e o Sem Peixe vinha como resposta, e nós não estávamos “nem aí” para ele. Tenho muitos casos dele na memória mas vou contar apenas alguns.

Certo dia ele chegou bravo na Sapataria: “É difícil viver neste país, tudo é caro demais, um telegrama simples custa uma fortuna...”

“Mas um telegrama é um meio de comunicação acessível a todos.”

“Ah é? Olhem aqui!”

Mostrou-nos o recibo. Estava, de fato, um valor muito alto. É como se hoje houvesse pago o equivalente a mais de um salário mínimo.

“Mas, que telegrama é este?”

“Apenas pedindo à minha mãe autorização para esticar as férias por mais uns três dias.”

“Você tem cópia deste telegrama?”

“Tá aqui.”

Peguei a cópia. Assustei-me com o tamanho. Dei um sinal, sem ele ver, para a turma não se manifestar, principalmente não rir. Na parte superior do impresso estava o destinatário:

Dona Lilica

Grupo Escolar Dr. Juca Antônio

SEM PEIXE

Na parte inferior o texto:

“Minha querida e idolatrada mãe, pessoa de uma bondade como muitas não há. É com uma dor na espinha e um frio no coração que escrevo estas mal-traçadas linhas. Deveria ter escrito antes mas não me foi possível. A finalidade é narrar para a senhora que o Grêmio vai promover uma festa visando angariar fundos para serem aplicados na formatura do fim do ano. Aí, pergunto: apesar de as minhas férias iniciarem-se na quinta-feira, eu poderia deixar para ir na próxima segunda, visando participar de um acontecimento que será muito bom para mim? E a Nazinha? Já ganhou neném? Fiquei sabendo que o Fausto do tio Dô está muito gripado. É verdade? E a pintura da casa? Já acabou? Achei muito bonitas as cores que a senhora escolheu. Bem, vou parar por aqui enviando um grande abraço para todos. Do filho que muito os afeiçoa, Tim”

(Tim é o seu apelido de família)

Pensei com meus botões: “isto não é um telegrama, isto é uma tese, um tratado, a carta de Pero Vaz de Caminha fica insignificante perto disto”.

Mas não o deixei desconfiar. Disse-lhe que era uma linda redação, que ele estava melhorando a cada dia, fui jogando confete nele até que consegui o que eu queria: autorização dele para pregar aquela cópia de telegrama na parede da Sapataria “para todos poderem ter também o privilégio do acesso a tão linda escrita”.

Passados dois dias, também foi colada, junto àquela cópia, a resposta do telegrama. Era assim:

No destinatário: Tim

Hotel do Juquita

Alvinópolis – MG

No texto:  PODE.

 

Foto em frente a Loja do Chiquito, todos na "charrete"do Pite
  Mauro, Duducho, Repolês, Catatau, Bené, Pite e Zózimo

Outro caso dele. No nosso tempo dançávamos colocando a mão direita envolvendo a cintura da moça e com a esquerda, segurávamos a direita da moça, numa posição como quem estivesse segurando o braço de um violão. Alguns mais românticos, traziam as mãos próximas aos ombros e outros, inventadores, desciam o braço verticalmente, segurando a mão da moça lá em baixo. O Repolês dizia: isto é frescura. Homem de Sem Peixe não dança assim.

“Será que não é porque a Mariângela é baixinha e você teria que agachar?”

“Não te dou liberdade para enfiar nome de pessoa estranha ao assunto!!!”

Muito bem. Certa vez fomos jogar futebol em Barra Longa. Durante o dia tudo corria normalmente. À entrada da noite o Repolês apareceu-nos com uma cara de poucos amigos. Não dava papo. Torrava quem se aproximasse dele. Não entendemos e a princípio não nos preocupamos. À noite, no baile que nos fora oferecido, aparece-nos o Repolês, dançando com os braços “dependurados”, exatamente como “homem de Sem Peixe não dança”. A cara continuava fechada e, às vezes fazia uma contração facial, que nos levava a pensar em dor. Tentamos aproximar mas estava difícil. Desta vez o homem estava com raiva mesmo. Largamos para lá. Pela madrugada acabou o baile. Entramos e nos assentamos no ônibus para a cansativa volta. O “bichão” continuou com a cara amarrada, andando para lá e para cá no corredor do ônibus, com os dois braços dependurados. Numa freada inesperada do motorista, ele, instintivamente levou o braço lá em cima, no balaústre, deu um grito de dor e em seguida virou-se para o motorista e bradou: “quando esta lata velha sua passar em cima de uma ponte, dê um parada para mim porque, se eu já tiver descoberto qual f. d. p. que, quando eu estava no campo, marcando gols para o time dele, foi ao hotel, entrou no meu quarto, pegou meu desodorante, esvaziou-o no vaso e em seguida encheu-o com laquê, eu vou jogá-lo lá em baixo para ele ver se se faz isto com um homem de Sem Peixe”. Nesta hora o Modestino abaixou-se atrás da poltrona, disfarçou a voz e perguntou: “e aonde está o homem?”

Uma vez fomos com o Grêmio jogar em Santa Bárbara. O baile terminou às 04:00 horas. Entramos no ônibus dos Vianas, rumamo-nos para a volta. Quando estávamos passando em frente a uma fazenda de Florália, um pé de laranja (todas graúdas e maduras) pendendo para a estrada. O motorista era Totozinho Viana. Parou o veículo bem debaixo daquela árvore carregada e, subindo ao porta-malas que era no teto, “colheríamos” quantidade suficiente para toda a embaixada. Mas, quando preparávamos para escalar a escada, da varanda da fazenda ecoou um tiro de espingarda. Susto grande. Ficamos quietos e calados. Tudo em silêncio. Totozinho virou-se para o Repolês e disse: “Vá Tabuleiro (assim ele o tratava) e resolva esta para nós”. O bravo de Sem-Peixe abriu a camisa no peito, dirigiu-se para o terreiro perguntando se aquele tiro era contra nós. Silêncio total. Repetiu a pergunta. Novamente silêncio. Aí ele pegou confiança e falou mais alto: “Se aquele tiro foi contra nós, fique sabendo que o senhor atirou na direção de um homem de Sem Peixe e isto é muito arriscado”. Continuou o silêncio. O homem desconfiou que, estando o ônibus cheio, seria temerário ele “dar as caras”. Entramos de novo para continuar a viagem de volta. Aí, o Narciso que estava sentado bem lá na cozinha, tirou da bolsa uma garrucha sem cabo que ele usava quando fazia transporte de malas do correio, pôs o braço para fora da janela, deu dois tiros para cima e gritou: “Se homem de Sem Peixe não resolver, homem de Alvinópolis resolve”.

 

ADAIR

Grande companheiro da nossa época. O maior dos gozadores. Como o Repolês morava no hotel, todo dia havia coisa nova. Ria de todo mundo mas quando a gente ria dele ficava bravo. Tinha também um espírito muito dinâmico, responsável com os estudos, foi também presidente do Grêmio, participava ativamente de tudo com a nossa turma. Uma qualidade que sempre foi notada nele era a educação e gentileza com que tratava as pessoas. Em tempos mais recentes, quando ele era juiz em Nova Era, uma tia que também morava lá, disse-me que se impressionava como ele, na condição que o cargo exigia, sabia discernir autoridade e seriedade com educação e gentileza. De vez em quando ele aprontava uma surpresa.

Uma delas: nós jogávamos futebol no Alvinopolense, no segundo-quadro (os aspirantes). Uma vez machucou um jogador do primeiro quadro, que jogava na mesma posição dele. Ele foi convocado para “tampar o buraco” (expressão usada quando o substituto não era grandes coisas). Simplesmente virou titular. Nunca mais voltou para o “cascudo”. Nos dias de jogos ele falava com a gente: “podem ir para o campo, vão esfriar o sol que depois os bons irão.” Mas coisa pior ele me aprontou : havia uma “moça de fora” muito bonita, hospedada numa fazenda. Durante a semana, conversando com a mesma, convidei-a para voltar no fim-de-semana à cidade, ocasião em que se realizaria um grande baile. Desconfiei que ela gostou do convite e esta desconfiança virou certeza quando, no dia seguinte, uma pessoa da família que a hospedara me afirmou que ela estava “contando os dias” para chegar o dia do baile, sempre citando o meu nome. Eu também estava louco para chegar este dia pois a parceira já estava garantida. No dia do baile, à tarde procurei o Adair, contei-lhe o fato e o problema porque passava: havia uma moça de Alvinópolis que, se eu não a tirasse para dançar, no dia seguinte ela me cobrava; se eu tirasse, ela não pedia para parar (era falta de educação os rapazes pedirem para parar). Então combinamos o seguinte: eu a tiraria para dançar, dançaria umas três músicas, daria um sinal para ele quando, então se chegaria até nós (eu e a moça) e falaria que havia um irmão meu, lá fora do Clube, precisando falar comigo. Eu pediria licença, daria uma saída, voltaria livre para dançar todo o baile com a visitante.

Foto em frente a Sapataria , onde hoje é o Mundão."
Célio, Prisco e Pateca, Magela, Tone e Totó, Mauro, Zé e Zózimo, Paulo César e ADAIR.

“Ô cara, amigo é para estas horas. Pode contar comigo. Algum dia eu também vou precisar de você...

À noite fui para o Clube. A Orquestra já tocava as primeiras melodias. Constatei a presença, no recinto, das duas senhoritas que preencheriam o meu tempo (a segunda mais que a primeira). Andei mais e não percebi a presença do Adair. Que desperdício, eu parado ali! Passados uns quinze minutos ele chegou. Um aceno confirmou o combinado. Tirei a nativa para dançar (nunca vi três músicas demorarem tanto tempo), dei um sinal para ele. Ele levantou-se, abotoou o paletó, colocou o cigarro no cinzeiro, aproximou-se de nós, na maior educação pediu licença à moça para me dar um recado, e disse:

“Seu irmão está lá fora e pediu-me para dizer-lhe que o problema já foi resolvido, você pode ficar tranqüilo aí.”

Foi em direção à visitante, saiu dançando com ela, e dançou até o dia clarear. Neste dia ela tinha caprichado no visual, estava muito mais bonita do que no dia que a conheci. O pior é que até hoje não apareceu o dia que ele iria precisar de mim. Então, por vingança, vou contar uma que ele não gosta que seja divulgada:

Certa vez, num futebol no Alvinopolense, o campo era uma lama só, já que não era todo gramado e chovia muito no dia. Sujamo-nos dos pés à cabeça (e muito). Não havia um centímetro no uniforme ou no corpo que não fosse lama. Acabado o jogo fomos embora, Adair, Repolês e eu. Haveria um baile à noite. Paramos no Remo para um bate-papo, no qual programaríamos um prenúncio do quê a noite nos reservava. Conversamos bastante e eu disse que iria largá-los já que morava na Rua de Cima e teria que preparar-me para voltar.

 “Vá sim. Mesmo porque o banho hoje vai demandar muito mais tempo.”

Quando voltei, encontrei-me com os dois já devidamente engravatados, subindo as escadas do Clube. Tudo transcorria normal, até que, quem dançava, começou a notar uma quantidade muito grande de areia na pista de dança. Causou estranheza já que a pista fora esmeradamente encerada para o evento. Mas não houve outro jeito: a Orquestra parou, todos voltaram para as mesas, veio uma equipe de vassouras e panos molhados e colocou ordem na coisa. Voltou tudo ao normal. Normal em termos. É que, estranhamente Adair e Repolês não quiseram dançar mais naquele dia. Só passado muito tempo ficamos sabendo a razão:os dois ficaram muito tempo no Bar. Foram para o Hotel e, como estava muito frio, desistiram do banho. Lavaram muito bem lavados o rosto e as mãos (até os punhos) meteram terno em cima daquela lama e foram dançar. Com a temperatura do corpo a lama foi secando e soltando placas pista afora.

Quando já estava próximo a ele terminar o curso, arranjou emprego nos Vianas. Com o primeiro salário, comprou uma blusa azul com a frente num “vermelho-cheguei” que à distância ele era reconhecido. Este emprego tirou-o do nosso convívio diurno (durante a semana) mas, em compensação ele, que nem sempre tinha dinheiro para comprar um maço de cigarros, passou a portar dois: um Hollywood para si e um Saratoga para atender aos pedidos dos amigos. Uma vez quando ele estava jogando vôlei, nós fomos ao vestiário, vasculhamos seus bolsos e fizemos a inversão dos cigarros nos respectivos maços. Naquele dia ele fumou muitos Saratogas e nós, muitos Hollywoods.

Em época recente, pouco tempo antes de sair a minha aposentadoria, fui indicado para fazer parte de um grupo que iria analisar um processo jurídico-eleitoral. Por se tratar de um processo muito grande e complexo, o trabalho durou muitos dias. Isto ensejou um relacionamento mais demorado entre os partícipes. Num dia, num intervalo para se lanchar na cantina, assentei-me a uma mesa com um do grupo. Para relaxar, fluímos a conversa para a informalidade, ocasião em que ele me perguntou onde eu nasci. Tendo respondido, ele disse-me: “então o senhor é conterrâneo do Dr. Adair?” Este senhor, antes de ser transferido para Belo Horizonte, foi também juiz em Sete Lagoas, onde o Adair exerce a mesma função. Fomos obrigados a estender o intervalo por mais uns vinte minutos. Contei todos os casos. Inclusive o da lama no baile. Ao voltar para os trabalhos ele disse-me que o Adair é muito admirado como ser humano e muito respeitado como autoridade na cidade.

 

“O MARRETA”

Era o nosso jornalzinho. Circulava, de maneira geral, no meio estudantil. Mas havia muitas pessoas que não estudavam e faziam questão de comprá-lo para ver as gozações. A equipe variava de acordo com a época. No meu tempo de participante éramos, alternando, Zé Alvarenga, Gustavo, Rafael, Ozanan, Magela e eu. O jornal era pequeno mas dava o trabalho do tamanho de um bonde. O processo era muito rudimentar. Era um mimeógrafo de tecnologia muito arcaica, tinha-se que datilografar a matriz quase que “catando” letra por letra,  pois não podíamos correr o risco de errar. Se isto acontecesse, de duas a uma : perdia-se a matriz (que era muito cara) ou saía com erro.

Cópia de um exemplar de "O Marreta" que circulava no meio estudantil. Poderíamos tê-lo re-digitado, para ele sair "bonitinho" com correções, mas preferimos deixá-lo com os erros, arranhões e garranchos, em nome da aproximação e da originalidade"

A confecção acontecia na Secretaria da Escola pois não tínhamos instalações nem maquinário próprios. Assim sendo, começávamos às 22:00, para terminar quando terminasse (às vezes, com o dia clareando). Na véspera combinávamos quem levaria café, quem bolo, quem leite, quem cigarros, e tudo era dividido. Havia uma caixa de papelão, lacrada com fita crepe, com uma entrada tipo cofre, colocada na Secretaria, escrito a pincel Marreta, para quem quisesse ali jogar (anonimamente ou não) os artigos. Eu comecei a colaborar na confecção, mais no intuito de, sendo um colaborador, poder, de vez em quando, rasgar algum papel que contivesse meu nome. Eu era muito visado. Mas não consegui. Era muita seriedade e respeito aos colaboradores. Gostei da farra e continuei. E o Marreta não perdoava ninguém. Se desse qualquer “má nota”, estaria marretado.

 

Recebíamos muitas ameaças que entravam num ouvido e saíam noutro. As matérias que todos mais temiam eram as que envolviam nomes de namorado/as, romances, brigas, reatamentos, etc. Havia uns pseudônimos que a gente inventava para autores dos artigos que não tinham nada a ver com coisa alguma.

 

Certa vez eu estava com um dente doendo e fui procurar o Sr. Antônio Machado. No caminho fui pensando em, “daqui pra frente, ter cuidado para não dar motivos para o Marreta.” O dentista colocou com um algodão um remédio que cessou a dor na hora. Quando ele estava com o vidro na mão, vi o nome escrito: Euginol. Passados uns dias o dente doeu novamente e fui de volta ao dentista. Chegando lá, recebi a informação de que o mesmo se encontrava em viagem. Não me importei. Afinal, já sabia o nome do remédio. Rumei-me para a farmácia do Dodô. Ela estava cheia de mulheres. Eu não sabia, todavia, que o Sr. Antônio Machado havia aproveitado o vidro de um remédio para regular ciclo menstrual, o Euginol.

 “Sr. Dodô, o senhor tem Euginol? Traz um vidro para mim porque só ele resolve o meu problema, e na hora.”

O Sr. Dodô ficou vermelho de vergonha e, muito reservadamente explicou-me de quê se tratava. Eu gelei-me. Achei bom porque as senhoras presentes eram idosas e naturalmente não iriam divulgar aquilo, muito menos o Sr. Dodô.

Fui calado até a Sapataria (muito próxima dali) e quando cheguei, em côro:

“Ô Zózimo, lá na farmácia do Sr. Duarte, o absorvente está em promoção.”

“Quem já veio contar isto aqui?”

 “O Rafael. Ele estava bem atrás quando você soltou a asneira.

CADÊ  ELE?”

Ele foi lá para a Praça do Gaspar. Foi contar na Barbearia e nos Bares. E não adianta correr atrás porque ele já chegou lá.”

A redação do Marreta achou jeito de divulgar o fato em duas edições, a segunda, a pedidos.

 

 

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