A história do AFC.

Amor e paixão em preto e branco.

Dos anos 30 aos anos 60.

 

José Silvério de Carvalho

 

Foto 002. Time da década de 1930.

O goleiro era Edmundo Vasconcelos, pai do José Santana.

Conhecidos : Chiquinho Morais e Valdir avô de Bife.

Foto do acervo de Mauro Sérvulo.

 

Fundado em 1º de julho de 1916, vamos conhecer um pouco da história do Alvinopolense Futebol Clube ao longo dos seus 93 anos de existência.

Conheço boa parte da história desse Clube, pois aos 10 anos de idade, meu pai me levou para o Lambari do Sr. Orlando Lima, grande descobridor de craques para o AFC. Sempre me interessei pelas coisas do Alvinopolense, principalmente o futebol, uma das minhas paixões.

Quando ainda garoto, conversava muito com os atletas que estavam em atividade e também com ex-atletas, sempre querendo saber quem eram os craques do passado, de um tempo que eu ainda nem era nascido.

 

Time dos anos 40

Conhecidos : Luiz Monteiro, Zico Pontes, pai de Catatau. Edmundo Vasconcelos era o goleiro, a sua esquerda Guilhermina a sua irmã.

Foto do acervo de Mauro Sérvulo.

 

 

Os campos do Alvinopolense Futebol Clube.

 

O primeiro campo do AFC, quando da sua fundação em 1916, era na Av. Antônio Carlos, onde hoje se encontra instalado o Grupo Escolar Monsenhor Bicalho.

Por ali nasceram os primeiros craques deste tradicional clube da nossa terra.

Hoje em dia, dentro do Grupo foi construída uma quadra de futebol de salão, que ajuda a formar os garotos no futebol.

O segundo campo do AFC, na década de 40, era na Baixada do Souza, hoje elegante bairro de Alvinópolis.

Na década de 50, o campo do AFC mudou-se para a rua Santa Cruz, onde se encontra até os dias de hoje. O terreno foi doado por Antônio Anastácio de Souza, pai de Ernesto de Souza, do Jornal "O Progresso". Por isso o Estádio foi batizado de Antônio Anastácio de Souza, em homenagem ao doador do terreno.

 

Jogadores que marcaram época

 

Da fundação até os anos 40.

 

No período de sua fundação até os anos 40, os craques que brilharam no AFC foram :

Ernesto de Souza.

Edmundo Vasconcelos, grande goleiro e pai do Dep. José Santana.

Zé Dalila, parente de Dico Lavanca.

Pituça e Paulo, tios de Justiça.

Luiz Monteiro.

Zico Pontes, pai de Catatau, Bené Classe e Loló.

 

Zico Pontes, pai de Bené Classe.

Craque dos anos 30 e 40.

Foto do acervo de Mauro Sérvulo.

 

Sô Waldir, avô de Maurício Lima, o Bife.

Cinssa Petinatti, Juquinha Ianarelli, Djalma de Moraes.

Raimundo de Juca, pai de Jajá, Joel e Josias.

Chiquinho Moraes e  Zé Campeão.

 

Abaixo a foto da visita do jogador do Atlético Mineiro Lucas Miranda,

jogando com a camisa do AFC em 1948.

 

 

 

A partir dos anos 50 até 1954, brilharam no AFC :

Geraldão, que era goleiro.

Geraldo de Nelson.

Zé de Almeida, Zé Meu Cravo, Babucho, Antônio Neves, Barruguinha, Antônio Cabacinha e Zé César.

 

 

Os grandes times

 

Em destaque inicial para o time juvenil de 1953, que foi uma base para todo o início desse relato.

 

Juvenil do AFC

Galinho, Zé de Melo, Guela, Catatau, Rafael, Azulão, Totó.

Tatão, Enio, Tone, Didinho, Helio Almeida. Ano de 53.

Foto: Mauro Sérvulo

 

 

No ano de 1954, eu começava a jogar no Lambari do Sr. Orlando Lima, sem perceber que a paixão pelo “pouca roupa” já havia tomado conta de  mim.

O time de 1954 era muito bom e sua escalação era :

Zeca do Correio, Geraldo de Nelson, Zé Preto, Muado e Tolac. Joãozinho e Néder. Ary de Souza, Paulo Almeida, Nestor e Remo.

 

Foto time de 1954.

Niquinho Gama (Diretor), Geraldo, Zé Preto, Zeca, Muado, Joãozinho e Tolac.

Ary de Souza, Néder, Nestor, Paulo Almeida e Remo.

Foto: Mauro Sérvulo

 

 

Em 1955, Bené Dario assumiu a Presidência do AFC e chamou Nestor, já ex-atleta, para ser técnico do Juvenil. Já Totó de Juca Nonato, Diretor de Futebol e que foi nomeado técnico do time principal.

Fizeram uma grande reformulação no elenco, afastando alguns atletas, já em fim de carreira, e promovendo um grupo de garotos do juvenil, para montar o maior time da história do glorioso AFC.

 

Juvenil do AFC, 1955

Totó de Juca, Tiziu, Jajá, Zé de Melo, Sureco, Ivo, Loló e Nestor.

Tatão, Catatau, Chico de Souza, Girô e Vaquinha.

Foto: Mauro Sérvulo

 

Fui um privilegiado, pois tive a felicidade de ver Zeca do Correio, Tito e Vaquinha, três goleiros, três muralhas quase intransponíveis, que o Treinador não sabia quem escalava.

A zaga era de extrema categoria, formada por Néder e Muado.

O toque de bola refinado de Azulão. Na quarta zaga “o fino da bola” Zé Martins.

Na lateral esquerda, a marcação forte e a categoria de Remo.

Na ponta direita, a velocidade e o chute forte de Catatau.

No meio campo o maestro Didinho regia a Orquestra Alvinegra.

Na frente, Ênio, um matador implacável, um dos maiores goleadores do AFC.

Rafael Cota era outro gigante no meio campo,  e na ponta esquerda Jésus, um jogador de muita habilidade, que ao lado de Azulão, Didinho e Rafael, formavam um meio campo que deixava os adversários desnorteados.

 

 

Torneios marcantes.

 

Em julho de 1956, o AFC promoveu um quadrangular na festa de seu aniversário, com as participações das equipes do Atlético Prateano, Piracicaba e Belgominas de João Monlevade.

Os jogos eram disputados em 2 tempos de 25 minutos, para que houvesse tempo do torneio terminar no mesmo dia.

 

O maior time da história antiga do AFC – 1956

Zé Campeão, João Bosco, Zé Martins, Néder, Muado, Remo, Tito, Tutuia, Totó de Juca(Técnico).

Girô, Fábio, Didinho, Enio, Rafael Cota, Catatau e Waldir.

Foto: Mauro Sérvulo

 

 

Os jogos tiveram a seguinte combinação :

Alvinopolense e Prateano, Belgominas e Piracicaba.

O Alvinopolense derrotou o Prateano de virada, perdia de 2 a 0 no primeiro tempo e virou no segundo tempo para 3 a 2, gols de Didinho, Muado e Hélio Almeida, num jogo inesquecível e dramático.

No segundo jogo o Belgominas venceu o Piracicaba por 3 a 1.

No jogo da final, também muito dramático, o AFC venceu o Belgominas por 1 a 0 e sagrou-se campeão. O lindo troféu está guardado na Galeria do clube.

 

AFC  1957

Galinho, Dico Lavanca, Remo, Vaquinha, Paulinho, Lilito Massa.

Paulo Almeida, Renato Neves, Didinho, Enio e Jésus.

Foto: Mauro Sérvulo

 

Em 1957, outro Torneio no aniversário do AFC , que era realizado sempre no mês de julho, com a participação desta feita dos 3 timaços de João Monlevade, na época o Belgominas, Vasquinho e Metalúrgico.

O AFC venceu o Vasquinho por 1 a 0, gol de Paulo Almeida e no segundo jogo o Metalúrgico derrotou o Belgominas por 3 a 1, num jogo tumultuado, de muita briga, devido a rivalidade entre os dois times.

No jogo decisivo, o AFC enfrentou o Metalúrgico. O jogo terminou com o placar de 0 a 0 e a decisão foi para os pênaltis.

Nesta época eram 3 cobranças para cada time. O Alvinopolense vencia por 3 a 2 e cabia a Paulo Silvério, grande zagueiro do Metalúrgico, efetuar a cobrança do último pênalti.

Aí brilhou a estrela do goleirão alvinegro Vaquinha, que fez uma ponte sensacional e agarrou firme, dando o título de Campeão ao Alvinegro de Alvinópolis.

A torcida, que lotou o Estádio Antônio Anastácio de Souza, explodiu de alegria.

Logo após o torneio, esses três times de Monlevade desmantelaram o AFC, pois levaram os grandes craques alvinegros para trabalhar na Belgo Mineira e jogarem em suas equipes.

 

 

AFC - 1961

Totó de Inhozito(Diretor de Futebol), Galinho, Dico Lavanca, Remo, Jujuca, Lilito Massa, Adair, Paulinho.

Catatau, Didinho, Repolês, Agapito, Dinho e Renato.

Foto: Mauro Sérvulo

 

 

Já na época de 60, após a saída dos seus principais craques, o AFC reformulou a sua equipe, que figurava da seguinte forma :

Jujuca, Lavanca e Lilito Massa, Adair, Remo e Galinho. Catatau, Didinho, Repolês, Agapito e Aryzinho. No banco estavam Loló e Paulo Almeida.

 

 

AFC, ano de 1964.

Jujuca, Galinho, Necreto, Dico Lavanca, Zé de Melo, Tatim.

Agachados : Zé Garrincha, Doca, Repolês, Catatau e Jajá.

Foto : Mauro Sérvulo

 

 

Em 1964, em plena Ditadura política, o AFC montou um timaço, com Antonino na Presidência e com a chegada de uma empresa de Terraplanagem para executar obras da Estrada de Ferro em Alvinópolis. Trouxeram um empregado que jogava uma barbaridade, que se chamava Zé Garrincha. Ele foi um ponta direita que escreveu seu nome na Galeria de Craques do AFC.

O time passou a ser formado assim :

Jujuca, Lavanca, Tatim, Catatau, Necreto e Galinho.

Zé Garrincha, Doca, Dojão, Repolês e Jajá.

Os suplentes eram Dadico e Dinho, sem contar com alguns alvinopolenses que trabalhavam na Belgo de Monlevade e que vinham sempre reforçar o grupo. Eram eles o Zé de Melo, Bororó, Azulão e Renato Neves.

 

A partir do ano de 1966, surgiram mais craques no AFC, como foram os casos de Justiça, Doca, Juca, Sabará, Klebinha, Binha, Dadico, Pepê de Nilo, Nem Ianarelli, Branco, Nono Pimenta.

Justiça, Doca, Juca e Klebinha jogavam demais.

Justiça era um centroavante de alta categoria, do mesmo nível de Ênio, citado anteriormente.

 

AFC em 1966.

Tatim, Pepê, Juca, Jujuca, Nem, Gilberto e Repolês.

Dinho, Dadico, Binha, Justiça, Paulo César e Toninho.

Foto : Mauro Sérvulo

 

 

Nos anos 70 não presenciei muito a história.

A partir dos anos 80, Salvador Teodoro Alves, o Tuôla, assumiu o AFC e fez um grande trabalho. Realizou a ampliação da sede social do AFC, duplicando sua capacidade.

Montou grandes equipes, conquistando títulos regionais e a exemplo de Bené Dario, também escreveu seu nome na história do AFC de forma brilhante.

Essas histórias poderão ser contadas pelos próximos colunistas apaixonados pelo AFC.

 

 

Os torcedores Fanáticos.

 

De volta aos anos 50, relembrarei alguns dos mais fanáticos torcedores do Alvinopolense.

Em destaque o João de Vina, meu pai, Zé Carvalho, Pituça, Nico Monteiro, Pedro Rôla, João Petisco, Dico Leite, pai de Tito, Sô Zé Capitão, Tuôla, Sô Ilídio, pai de Didinho, José Rodrigues, pai de Mariângela, Totó de Inhozito, Zeca e Amaury do Correio, Darci Gomes, Juquita do Hotel, Nicacino massagista e Sr. Nilo Gomes Vieira.

Da turma mais jovem, os irmãos Zé Maria e Manoel Barcelos, que ajudaram a formar o grande esquadrão do AFC de 1987.

 

Algumas peculiaridades de alguns desses torcedores.

 

João de Vina :  Em dias de grandes jogos do AFC, ele ficava tão desorientado que ia ao campo, voltava em casa, jogava água na sua famosa horta, ia pro campo de novo, voltava em casa, tratava de seus diversos passarinhos, voltava para o campo, enfim, era uma festa. Ficava tão nervoso que não conseguia assistir ao jogo todo.

 

Carvalho : Um tremendo gozador, contava com o apoio maciço de centenas de garotos, que o adoravam. Sempre pegava no pé do juiz, depois se posicionava atrás do gol adversário, azucrinando o goleiro junto com a garotada.

Às vezes os goleiros não agüentavam a pressão e chamavam o Juiz para tentar paralisar o jogo, mas não adiantava, o homem era terrível.

 

Sô Zé Capitão :

Outro torcedor símbolo do AFC, era um senhor baixinho, muito simpático, que morava ali na Bananeira ou Asilo, como queiram, trajando paletó, chapéu, sapatos, isso no frio ou no calor. Como era um senhor mais velho, posicionava-se na entrada do campo, na lateral. Começou o jogo, Sô Zé Capitão tirava dos seus bolsos um canivete afiado, palha e fumo de rolo, e tentava fazer seu cigarrinho de palha.

A paixão pelo Alvinopolense era a maior inimiga do seu hábito, pois jamais conseguiu finalizar o cigarro de palha. Seus filhos  ou amigos ali por perto, colocavam uma folha de jornal, próximo aos seus pés. Assim o fumo picado que caía durante o jogo era guardado e embrulhado após a partida, voltando para o bolso do seu paletó.

Após o jogo, Zé Capitão, na maioria das vezes rindo a toa com as goleadas do AFC, ia pra casa feliz da vida. Chegando em casa, fazia e pitava tranquilamente seu cigarrinho de palha.

 

As torcedoras fanáticas.

Representando a classe feminina, cito as irmãs Darquinha  e Nenzinha de Ilídio. Elas eram torcedoras fervorosas e participavam ativamente dos jogos. Gritavam, xingavam, aplaudiam e voltavam pra casa felizes quando das vitórias do AFC, time do coração.

No time delas jogavam seus irmãos Joãozinho, Didinho e Zé César. Craques que brilharam no alvinegro.

 

Lambari do Sr. Orlando Lima

O Sr. Orlando Lima prestou relevantes serviços ao Alvinopolense durante 30 anos, revelando os maiores craques da história do clube.

 

Lambari – 1956

Tone – Assist. Técnico.

Adair, Tatim, João Ribeiro, Fabinho, Pedroca, Fernando.

Renato, Dinho, Joel, Vidrilho e Chico.

 

 

Juvenil do Alvinopolense

 

Após completarem 15 anos, os garotos do Sr. Orlando Lima eram transferidos para o juvenil, dirigidos por Nestor, ex-craque do Alvinopolense e Totó de Juca Nonato, que mais tarde veio a ser técnico do time principal.

 

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Outras grandes equipes

Galeria de Fotos 91 anos

 

 

Todas as fotos são do acervo do Mauro Sérvulo.

Mais uma vez o nosso muito obrigado.

 

Um abraço a todos alvinopolenses.

José Silvério de Carvalho (Vidrilho)

Contato : alvinews14@gmail.com ou (31) 3495-2300